sábado, 25 de abril de 2020

O que se perde, o que se ganha...


Já falei em uma postagem que sou lerda para algumas coisas, mas quando se trata de sentimentos, sou uma perfeita idiota. Na maioria das vezes, interpreto errado e o preço que pago é alto... quando considerei de fato fazer minha iniciação no Candomblé considerei algumas coisas e superestimei outras. E, é claro, que o resultado não foi dos melhores. Eu não sou boa de entrelinhas, não sei ler este tipo de diálogo.

Não sou uma pessoa carinhosa, mas sou pau pra toda obra e se eu amo alguém, não meço esforços. Não sei se isso é defeito ou qualidade. O amor pra mim é sagrado e eu amo por inteiro, com plenitude, desarmada e com a alma nua e sempre espero o melhor do amor, até porque faço o melhor que posso, com o que tenho e com o que sei. Pode até não ser o melhor para os outros, mas com a absoluta certeza, é o meu melhor, meu mais puro, meu mais profundo.

E eu perdi. Supervalorizei o amor. E perdi o que tanto prezava. Perdi sem opção de escolha, porque se tivesse que escolher o meu amor mil vezes, eu escolheria mil e uma. E eu perdi sem sequer ouvir uma única palavra. Quando eu vi, já não existia. E tudo que eu considerava tão sagrado, tão meu, já não era mais.

Em cada escolha do meu amor, em mim ele encontrou total apoio. E foram muitas as escolhas. Conheci em uma profissão e, em 15 anos de convívio, foram algumas outras. E, em todas as escolhas, o meu apoio. De lugar foram outras tantas escolhas e lá estava eu. Viajei alguns pares de quilômetros de carro, de ônibus, de avião. Porque pra mim o amor passa pelo apoio, pela cumplicidade. Sem contar que mudaram as profissões, os lugares, mas a pessoa é a mesma e com o amor ao lado se caminha mais firme. E, caso algo não saia como esperado, se tem o melhor lugar para pousar: nos braços de quem nos ama.

Na nudez da alma eu tinha o maior orgulho de dizer que o amor é maravilhoso e que eu o conhecia. Orgulho sem soberba. Do meu amor sempre falei com amor, alegria. Além de amor, sempre falei que era meu melhor amigo. Desde quando o conheci, quando acontecia algo bom, ele era a primeira pessoa que eu pensava e contava. E, se acontecia algo ruim, também era nele que pensava e pra ele que contava. E, ainda hoje, ele é a primeira pessoa em quem penso, mas já não tenho como contar.

E quando escolhi fazer minha iniciação jamais pensei que seria assim. Nem nos meus piores pesadelos achei que isso me aconteceria. Eu de verdade acreditei que meu amor e eu ficaríamos juntos por toda vida e que envelheceríamos juntos em algum lugar tranqüilo do interior. Eu realmente acreditei nisso e nunca imaginei que seria de outra forma. Em anos eu apoiei tantas escolhas – e algumas foram desafiadoras – e eu só fiz uma escolha.

É tão estranho. Eu sou um ser humano como qualquer outro, com defeitos e qualidades; sou uma pessoa séria, digna, correta, honesta; sou uma profissional que trabalha muito para colocar na mesa o pão nosso de cada dia; sou uma mãe que faz o possível para e pelos filhos; não sou boa dona de casa, mas cuido da minha casa com zelo e carinho; sou uma mulher bacana; não faço e não desejo mal a ninguém. Eu creio em Deus e nas forças da Natureza, amo Nossa Senhora. Não sou do mal, não apoio o mal, não aprendi a virar a cabeça como a menininha do filme “O Exorcista”, tampouco aprendi a subir paredes de costas.

O que eu aprendi na minha iniciação no Candomblé? Aprendi a silenciar, domar mais meus impulsos, ser menos explosiva, olhar pra dentro de mim, respirar fundo quando as cosias saem do “controle”. E outras coisas ficaram ainda mais fortes dentro de mim. Deus está em todas as coisas e isso inclui dentro de cada um de nós; o amor é o mais forte e o mais nobre dos sentimentos; podemos nos compadecer da dor do outro, mas jamais senti-la, então a dor do outro tem que ser respeitada; que o diálogo é de suma importância para todo tipo de relação; tudo que te é de valor deve ser preservado com respeito, carinho e amor; que não podemos voltar atrás, mas podemos recomeçar, retomar a qualquer tempo; que o coração do outro é terra sagrada, então só se pisa com muito amor.

Eu sou a Audrey. Eu sou ser humano, filha, mãe, profissional, dona de casa, mulher...
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