terça-feira, 21 de abril de 2020

Minha Dofonitinha


Os laços que ser formam em um Roncó são para toda vida.

Fiz minha iniciação no Candomblé com a Andreia – esposa de um dos meus primos. Nos conhecemos há 30 anos (isso mesmo! Ela casou ainda adolescente e eles estão juntos até hoje). Quisera Deus e os Voduns que ela se mudasse para a casa em frente a minha. Por alguns motivos não nos falávamos. Até quem um dia voltamos a nos falar e ela foi ao Barracão que frequento. Daí pra cá nossa amizade se fortaleceu bastante. Uma ajuda a outra nas precisões da vida.

Decidimos que faríamos o possível para fazermos nossa iniciação juntas. Eu de Azansú e ela de Oyá. E, assim, aos poucos, sem grandes pretensões, fomos nos preparando... até que em janeiro de 2020, entramos juntas para a iniciação. No dia 25 de janeiro formou-se o barco da Audrey e da Andreia. Começou naquele dia a nossa irmandade. Não sabíamos ainda – fazíamos apenas ideia – o quanto uma precisaria da outra e o quanto teríamos que nos apoiar.

Foram longos dias juntas. Na maior parte do tempo éramos eu e ela com nós mesmas. Ora eu precisava do apoio dela, ora ela do meu. À vezes nos falávamos e nos entendíamos só com o olhar. Foram longos dias de mistos sentimentos e emoções. Só nós duas sabemos se rimos ou se choramos. O fato é que compartilhamos absolutamente tudo e não foi fácil. E se conseguimos passar por algumas coisas, agradecemos a Deus, aos Voduns e uma a outra.

Entramos como Audrey e Andreia e saímos como Dofona Azonsi e Dofonitinha Oyasi. Construímos mais que amizade. Construímos uma irmandade que tem laço por toda vida. E não foi apenas por estarmos no mesmo barco, mas por temos nos unido, nos entendido, nos apoiado nas horas difíceis e por termos entendido que a união e o amor tornam tudo mais fácil. E no Roncó não há como se esconder em nenhum subterfúgio. Nós somos mais de nós mesmos e é necessário olhar diferenciado para encontrar o amor quando estamos desnudos. Isso é para poucos. Então, somos privilegiadas por nos amarmos na “nudez”.

E eu tenho a MELHOR Dofonitinha que uma Dofona pode ter. Ela é a Minha Dofonitinha. Minha e Dofonitinha com letra maiúscula porque ela é assim: grande em tudo que faz, além de “me pertencer”. Dofonitinha ela é só minha! (coisas de filho único que amam e têm seus “istas”: individualista, egoísta, exclusivista... e eu sou filha única). E a Minha Dofonitinha é mais que especial por tantos motivos que fica difícil enumerá-los.

Palavrão pra ela é vírgula, tem modos de menino... ah, mas ela é sensível, tem olhar diferenciado para o outro, ela cuida, tem um abraço incrível, seu beijo cura, sua presença traz cor e alegria. Ela é um ser humano incrível. Mal de mim se não tivesse tido a Minha Dofonitinha, exatamente do jeitinho que ela é: um furacão! Um furacão maravilhoso!!!

Falamos, ouvimos, sentimos e vivemos juntas o que nunca será feito ou compartilhado com qualquer outra pessoa. Saímos do Roncó com lindo laço. E à Minha Dofonitinha, os meus mais profundos respeito, admiração, gratidão e amor.
Continua...

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