segunda-feira, 17 de outubro de 2011

À deriva

Um barco sem rumo,
sem motor,
sem vela.
Uma estrada vazia,
sem encruzilhada,
sem reta.
Um avião no vazio,
sem rota,
sem meta.
Uma vida opaca,
sem brilho,
sem ela.

ANDRADE, Audrey


*******



Não sei onde te perdi, ou se te perdi ou se quem se perdeu fui eu. Queria apenas voltar no tempo para te pegar no colo e te ninar com uma cantiga gostosa; queria poder te acolher em meus braços e te dizer que tudo vai ficar bem e você se aninhar; queria fazer sua dor passar com um beijinho, como era antes; queria poder tanta coisa ainda, mas estou impassível diante do dragão. E ele cospe fogo, como nos filmes infantis.
Queria de volta teu olhar de admiração e te devolver o meu de amor e proteção. Estou aqui como antes, com o mesmo olhar, mas o seu se foi. Você cresceu e tem outra ótica no olhar. Não encontro teus olhos, teus sentimentos e não te alcanço como antes.
Estou à deriva sem sua companhia, sem o seu olhar, sem você em meus braços... mas sou seu porto seguro e vou aguardar sua embarcação novamente em mim aportar. Eu te amo.