segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Caraca! Fala sério!!!!

Um dia a gente dorme e quando acorda “zapo” as crianças cresceram. Se quando eles começam a falar já é difícil entender, quando crescem fica pior ainda. Mariana, hoje com 13 anos, pouco falou errado, mas o João Pedro bateu o recorde. A cada três palavras, quatro eram erradas. Digo três porque demorou muito a falar.

Mas o tempo passa, o tempo voa... e frases como “mas mamãe eu ainda não brinquei o sucifiente”, “vala a minha mão”, “mamãe, Mariana quer a chu”, “mamãe, Mariana quer âmo” e tantas outras deram lugar a frases como: “CA-RA-CA, manhêêêê, muuuuuito maneiro”, “aíííííííííííííí, tipo, muito lindo”, “não, mãe, peraííííi, manhê, cê tá pagando mico, ah, não, pára vai” e a melhor de todas “CA-RA-CA, manhê, fala sério, tá todo mundo olhando. Por quê cê faz isso comigo?!”. E ainda tem as declarações de amor: PSNMP. Alguém sabe o que significa essa sigla?! Nem eu!

Domingo de sol – único dia que durmo um pouco até mais tarde – acordo e lá está um recadinho pra mim:

“Mãe, você é a melhor mãe do mundo. Adorei minha festa. Adorei porque meus amigos vieram. Foi maravilhoso. Muito obrigada, mãe. Eu te amo muito.

PS: PSNMP

Mariana Andrade”

Eu adorei o recadinho. Quem não gosta de receber uma declaração de amor, principalmente vinda do filho?! Mas uma coisa me intrigou. O que seria “PSNMP”? Bom, era domingo e tive que esperar a mocinha acordar para saber o que significava aquela sigla. Fui corroída pela curiosidade. Lá pela tantas Mariana acorda, dei bom dia, agradeci pelo recadinho e fiz a pergunta: O que significa PSNMP? Rapidamente ela me respondeu: “Caraca! Fala sério, mãe. Você não sabe?! É para sempre no meu pensamento. Eu hein?!”

Pois é. Me descobri, como ela mesma costuma dizer, “out”. Para quem não sabe uma pessoa “out” é uma pessoas que não está por dentro do que acontece, não sabe das novidades, enfim, “não sabe absolutamente nada”.

Bom, como lá em casa as coisas são em dose dupla, eis que João Pedro já fez 10 anos e já está entrando na fase do dialeto. Mas nem sempre foi assim. As coisas já foram bem piores.

O bebezinho mais fofo do mundo não falava e quando balbuciava alguma coisa ninguém entendia, a não ser, é claro, a Mariana. O bebezinho veio com defeito. Não tinha tecla “SAP”. Levei o bebezinho no médico porque achei que havia algum problema. O pediatra afirmou que era “normal”. Defina normal.

Então, para manter algum tipo de comunicação, era necessária muita imaginação. “Mã, qué toi tati”. Esta frase nem Mariana foi capaz de traduzir. Após horas a fio com a criança chorando pedindo “toi tati”, a ficha caiu e perguntei: “Pedro, o que você quer é biscoito de chocolate?”. E ele, sem paciência, balançou os bracinhos disse: “toi ta-ti”, como quem afirma, e não foi o que falei? Isso fora a “pópó”, que significava galinha, e o inesquecível “avião pitu”, que nada mais é que o “pericóptero” quando ele cresceu mais um pouco e, que na verdade, é helicóptero. E foram muito mais. Inúmeros dialetos inventados pelo Pedro sem licença poética.

Mas como nada é tão ruim que não possa piorar, ele já está entrando na fase “teen” e novos dialetos vêm surgindo. E vem ele, com sua doçura impecável – ele realmente é uma pessoa doce e carinhosa – e diz: “Mamãe, vi uma parada super, hiper, mega, ultra ma-nei-ra. Você compra pra mim?!”. E eu respondo: “Pedro, tudo bem que o que você quer seja tudo isso de bom, mas seria o que mesmo? Você não me falou”. “Ah, não?! – fala ele com ar de surpresa e continua: eu quero um “Battle Force Five”. Eu de novo: “Bacana, Pedro mais o que seria isso?”. E ele: “Mãe, caraca, você nunca viu? Tem carro e tem moto, que vira... ah, sei lá, mas acho que é robô ou qualquer coisa do tipo”.

Mas o Pedro também tem seus rompantes de uso de um vocabulário mais aprimorado. Certo dia, estudando para as provas, João Pedro, com olhar pesaroso e choroso, fala:

_ Ai, meu Deus, por que eu fui nascer?

_ Pedro, a culpa foi minha, fui eu que pedi um irmãozinho.

_ Oh, Mariana, foi só uma pergunta retórica, tá?!

Eu e Mariana, não nos contemos e rimos muito, afinal, nunca imaginamos que João Pedro fosse capaz de soltar uma “retórica”.

Mas a histórica fica ainda melhor com o seguinte diálogo:
_ Meu Deus, por que o Senhor inventou a matemática?

_ João Pedro, Deus não inventou a matemática. Foi o homem.

_ Mariana, foi só uma pergunta retórica de novo.

_ Ih, Pedro, desculpa, tá?!

João Pedro fez um minuto de silêncio, pensou e respondeu:

_ Quem foi esse fdp então?!

_ João Pedro, você falou palavrão! Tá doido?!

_ Ah, mãe esse cara é um arrombado!

_ Joãããããão! – gritei.

_ Tá bom, mãe, ele é um santo e o fdp sou eu.

Esse é o João Pedro que nós conhecemos. Bom, com tudo isso me descobri mais mãe ainda. Afinal, os filhos sempre pensam que a mãe sabe tudo, mas de coisas antigas, porque da atualidade, elas estão “por fora”.

Caraca! Fala sério! Como sou retrógada!