“E foi tão corpo que foi puro espírito. A loucura é vizinha da mais cruel sensatez. Engulo a loucura porque ela me alucina calmamente. Bem atrás do pensamento tenho um fundo musical. Escuta: ‘Eu te deixo ser, deixa-me ser então’... Sabe o que eu quero de verdade?! Jamais perder a sensibilidade, mesmo que às vezes ela arranhe um pouco a alma. Porque sem ela não poderia sentir a mim mesma...
A maioria das pessoas está morta e não sabe, ou está viva com
charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que
sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um
dom que o mundo não merece... Por enquanto, estou inventando... Pois logo a
mim, tão cheia de garras e sonhos... Talvez fosse apenas falta de vida: estava
vivendo menos do que podia e imaginava que sua sede pedisse inundações”,
Clarice Lispector.
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Então eu sou! Sou fera, sou bicho, sou onça... tão cheia de garras e também de sonhos. Não vivo de mentiras e nem de meias verdades... hoje sou minha maior prioridade. Não gosto do raso, não sou do pouco... a minha sede pede inundações e eu transbordo. Vivo melhor! Vivo mais livre e mais completa. Ouço e me entrego aos desejos que nascem no segredo de mim mesma.
E também sou dos exageros, das grandiosidades – é exatamente assim que
vejo, que sinto – e, por ser do muito, até quando erro, erro muito. Imagina
quando amo! Puts! É sem limite! É tudo muito de verdade, intenso e sou capaz de
decorar e perceber detalhes até então nunca sequer vistos! Definitivamente eu
prefiro morrer a viver com charlatanismo, e o que não me falta é vida e vontade
de viver.
Audrey, por Audrey
