segunda-feira, 22 de março de 2021

Quisera o Tempo me desse mais Tempo de Tempo ter


Quisera o Tempo me desse mais Tempo de Tempo ter

Quisera o Tempo me permitisse voltar com o ensinamento que o próprio Tempo me deu

Talvez eu fizesse meu Tempo diferente do Tempo que me fez

O Tempo é um senhor sério, que não gosta de mentiras e tampouco de maldade

Por isso que o Tempo traz verdades não importa quanto Tempo passe

O Tempo é pura bondade, mas não é bobo não

Se engana quem pensa que pode o Tempo enganar

O Tempo está atento e o Tempo vai passar

E o melhor do Tempo não é chegada, mas sim o caminhar

Porque quando o Tempo chega, é a hora do parar.

 

O Tempo, sem dúvida, é Tempo de Deus. 

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Reencontrar a doçura, a delicadeza, o carinho... ser mulher

Na maior parte da minha vida tive dificuldades em ser menina, moça e mulher. Permiti que meu entorno ferisse a menina assustada e a transformasse num “menino levado”, que cresceu e não soube ser mulher. Para deixar a coisa ainda mais complicada, além de mãe, tive que me tornar pai dos meus filhos. E o lado masculino mais uma vez sobrepôs o feminino. Desiquilíbrio. Mas dentro de mim havia uma mulher que queria ser pura e simplesmente mulher, florir, permitir...

Foi criada sem referência paterna, por adultos e cercada de primOs. Para brincar tive que aprender a jogar pião, bola de gude, soltar pipa... e eu era boa. Meus cabelos encaracolados davam trabalho e era difícil de pentear – sou do tempo do creme rinse. Para dar menos trabalho, meu cabelo era curto. A carinha era de menino e, por ser muito levada, a maioria achava que eu era menino. Até meu nome confundia as pessoas.

Certa vez tomei um tombo e ralei o joelho. Então sentei e chorei abraçada ao meu joelho que estava sangrando. Um dos meus tios – eu morava com minha mãe na casa da minha avó materna e, na época, tinha três tios solteiros – um dos meus tios me repreendeu e disse: “Para de chorar! Menino não chora!”. E eu respondi: ”Mas tio, eu sou menina!”.

Aos poucos a menina delicada, que gostava de brincar de boneca, dançar, ouvir música, carinhosa... foi ficando bruta e cresceu achando que o certo era ser assim. Talvez me tornar bruta tenha sido uma forma que encontrei de me defender e não ser magoada, manter longe as pessoas. Uma forma de me defender até de mim mesma. Eu não sabia o que era ser feminina, mulher. Engraçado, mas um dos meus primos me chamava de Audrey Boy. Engraçado que até ele, em sua ingenuidade de menino, me achava “meio menino”.


E assim foi se formando o que durante muitos anos em minha vida eu “fui”. Eu vivi alguns anos com o pai dos meus dois filhos. Eu gostava bastante dele, mas não era amor. Não aprendi com ele a ser mulher. Como costumo dizer, eu era mais homem que ele. Depois dele me tornei ainda mais bruta. Não sei bem explicar. Ele me fez mal e só não foi pior porque através dele eu tive meus filhos. E, como me separei com o mais novo ainda muito pequeno – menos de três meses – tive que esquecer a mulher e ser apenas mãe, filha dos meus pais, trabalhadora e provedora.

Até que depois de um bom tempo – três anos depois da minha separação – e pela primeira vez na vida eu me apaixonei e amei de verdade. Nossa, que sensação mais gostosa! Eu nunca havia sentido tanto prazer em estar na companhia de alguém. Meu coração batia diferente. E eu conheci o homem que me fez me sentir mulher pela primeira vez. Como lidar com isso? Como lidar com uma situação que era pra mim um sonho inatingível e estava ali, diante de mim? Como ser mulher? Como deixar de ser uma pedra bruta se isso era tudo que eu sabia ser? Que desafio!

O amor era a contramão de mim em vários sentidos. A delicadeza no trato, nas pequenas coisas, o cuidado... isso era coisa nunca experimentada. Eu era como um animal selvagem ou uma onça braba, como eu era chamada. Mas ele tinha a capacidade de deixar a onça igual a uma gatinha. Mas ainda assim um animal selvagem que queria ser “domesticada”, mas não sabia como. Quando se é criado na selva, é difícil, muito difícil saber agir em outras circunstâncias...

E a gatinha “mansa” ou pedra quase lapidada não soube muito bem agir em várias circunstâncias... e o amansador de onça braba ou lapidador de pedra bruta se foi sem uma única palavra. Apenas foi e não voltou. Sem a mais remota dúvida, foi a dor mais dilacerante que já senti na minha vida até o dia de hoje. Levei tanto tempo para me sentir mulher para ser desta forma? Eita que não foi fácil administrar tanta dor e num período delicado – inclusive de saúde física.

Deixei de existir para o meu domador e deixei de existir até pra mim. O lado selvagem da onça a manteve “viva” a um custo alto, porque ela já não era mais tão selvagem. Não sabia mais existir na selva e não sabia existir domada. Muito da onça morreu. Tanto que ela deixou de saber quem era. A onça foi muito machucada, com feridas profundas, mas ela sobreviveu. E sobreviveu no amplo sentido da palavra.


Apesar das feridas profundas, que machucaram a alma, a onça descobriu o quanto é bonito não ser bicho quando, na verdade, se é mulher. Reencontrar a doçura, a delicadeza, o carinho... ser mulher foi a melhor coisa que já me aconteceu. Uma pedra lapidada não volta mais a ser pedra bruta. Uma onça domada não volta mais a ser selvagem. Uma mulher quando se descobre mulher, não volta a ser “homem”.

Eu (re)aprendi a ser mulher. Aprendi que ser forte, corajosa, manter uma casa sozinha, trabalhar fora, cuidar dos filhos, da casa, dos pais, dos amigos... não precisa deixar ninguém bruto. Eu posso cuidar e me permitir ser cuidada, posso amar e me permitir ser amada... e não tem nada de errado com isso. Ao domador, desejo do fundo da minha alma, o mesmo que eu desejo pra mim: que ele mereça a benção de ser tão ou mais amado que um dia ele foi.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Por que você ainda me ama?

Porque só eu te olho assim
Ah, existem vários motivos! Você estava invisível, inclusive pra você, e eu te enxerguei. Você sequer se lembrava de como era ser beijado com desejo. Não um desejo momentâneo, não com tesão, mas com amor. Eu dei cor a tua vida, dei colorido, dei brilho, dei valor, te fiz importante... e te dei problemas também, porque foi preciso enfrentar muita coisa de um lado e de outro.

Desde o primeiro dia você foi amado. Não foi só sexo, como costumam ser as primeiras vezes, havia algo a mais e que veio para ficar. “Se fosse só sexo, já seria bom demais”. Mas nunca foi só isso. Nunca foi o prazer do momento do corpo, sempre foi o contentamento da alma, até nos momentos mais difíceis e foram alguns.

Nunca ninguém havia vibrado tanto ao teu lado, em cada pequena vitória. Cada vitória tua foi transformada em grandiosa, até que você próprio a considerasse grande e sentisse orgulho. Meus olhos te viram grande desde o início, enxergaram além do corpo e alcançaram a alma.

Estive com você nos momentos mais difíceis e te dei apoio e te fiz lutar e não desistir. Mostrei o quanto era importante insistir, mesmo diante das negativas e dificuldades, porque isso faria diferença no futuro. E fez. E faz.

Você nunca foi tão bem cuidado e percebido e amado. Ninguém sequer percebe teu olhar, teu sorriso, tuas pintas, tuas costinhas... você é apenas o que pode oferecer momentaneamente, o socorro que precisam. Você não é “O”, você é “UM”, mais um que facilmente será substituído ou destituído. Não que você não tenha valor, muito pelo contrário, que não tem é o outro. Relações instituídas uma em cima da outra têm muito a revelar sobre si e sobre o outro...

Sim, você pensa em mim. Sim, você sente a minha falta. E, quando algo não dá certo, você se lembra de mim, e quando dá você sabe que eu vibraria muito com a tua alegria e a tua vitória. Não é a minha presença, foi com a minha falta que você não soube lidar.

E hoje, com todo o esforço que você faz, é tão efêmero, é tão passageiro que você precisa se esforçar o tempo todo para ter um pouco de valor, para tentar fazer parte e de tanto esforço fazer, vai acabar cansado porque não traz contentamento real. Envolvimento não é e não será comprometimento.

E você está doente. E como eu lamento por isso. A doença não veio do corpo, mas da alma que você deixou adoecer trilhando caminhos errados que não condizem mais com a tua evolução moral, com o que você prega, com a tua virtude que você tem deixado de lado. Como eu sei? Porque teu espirito veio me dizer. Você cometeu erros graves e se envolveu com pessoa errada que agora está te fazendo mal. E você? Você permitiu crendo que o problema veio de mim, quando na verdade não foi e não será. Tão intuitivo e tão inocente.

É triste ver tanto desespero, tanta dor, tanta pressa, tanto medo de ficar sozinho, de envelhecer sem ninguém... as escolhas de hoje refletirão no amanhã, sem dúvida. O que é construído em areia, em terreno que não foi bem sondado, tende a ruir, não importa o esforço que se faça. Quando compramos um apartamento no térreo, por mais obra que façamos, nunca será cobertura. A pressa é inimiga da perfeição e pode nos levar exatamente onde temíamos chegar.

Por que você ainda me ama? Nem você mesmo sabe e é exatamente isso que te dá tanto medo. Por que você foge e ainda assim pensa em mim? Porque você se esforça pra não lembrar que eu existo e, ainda assim, permeio teus pensamentos? Por que apesar do tempo estou sempre no teu pensamento? Por que o coração aperta quando pensa em mim?... Porque é o mais verdadeiro que você já sentiu e é isso que você busca, busca, busca... tenta, tenta, tenta... e não consegue. Porque está buscando e tentando no lugar errado. Por que você ainda me ama?

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Um ano par que se tornou ímpar

O ano de 2020 ficará registrado, sem dúvida. Um ano onde distâncias se encurtaram por um lado e se ampliaram por outro. Quem me conhece sabe o quanto gosto de abraço, mas este ano foi de bem poucos. Um ano de desafios, introspecção, estudo e de muitos vazios... A Terra silenciou. A Terra silenciou, o modo de vida mudou – ao menos para alguns que compreenderam a importância de valorizar a vida humana – as despidas não aconteceram... perdi amigos e conhecidos, vi famílias inteiras dissipadas pela morte – a morte efetiva e a morte de um ente querido. Pior que filhos órfãos, foi sentir a dor de pais enterrando seus filhos, na maioria esmagadora das vezes, sem o amparo de familiares e amigos. As redes sociais se transformaram em obituários.

No Brasil, enquanto muitos faziam festas e viagens disseminando um vírus tão mortal, numa demonstração profunda de irresponsabilidade e desrespeito com o outro, dezenas de centenas de milhares de famílias sofriam com parentes internados sem notícia alguma, enterravam seus mortos em valas coletivas na companhia de Deus; governos desvalorizando as vidas humanas e superfaturando equipamentos hospitalares e remédios, discutindo se esse ou aquele remédio deveria ser utilizado... Caramba, se não tem contraindicação, vale tudo para salvar vidas. O que não vale é levar para o discurso político. Definitivamente o Brasil não é pra amador.

2020 está prestes a acabar, mas não levará consigo o vírus. Mas a esperança é que 2021 traga a cura, uma vacina eficaz capaz de impedir que uma doença tão letal avance. Com todos os percalços, dores, desafios, decepções... – posso afirmar sem medo de errar que até a data de hoje foi o ano mais desafiador da minha vida – tenho muito que agradecer a Deus, à Espiritualidade, ao Divino, ao Sagrado por estar viva e não ter enterrado nenhum familiar. Ao Universo a minha mais profunda gratidão. É bem verdade que 2021 chegará trazendo desafios enormes, afinal, já termino 2020 desempregada. Eita ano desafiador. 2020 é um ano par que se tornou ímpar. Que 2021 seja um ano melhor para todos!


terça-feira, 17 de novembro de 2020

Preciso ser muitas...

Já gritei em silêncio

Já chorei sorrindo

Já me apaixonei distante

Já me afastei ficando perto

Já recomecei com um fim

Já coloquei o fim no começo

Já fui caos sereno

Já fui paz incendiária

Já fui menina/mulher

Já fui mais homem que muitos

Já sonhei acordada

Já estive acordada em um pesadelo

Já fui fera dócil

Já fui bicho insensível

Já me inventei para continuar

Já me reinventei para parar

Já senti prazer no corpo, na alma

Já senti dor no coração, na alma

Na transformação diária achei o equilíbrio

Preciso ser muitas para continuar sendo UMA.

 

Acertei e errei muito nesta vida – sempre penso que mais errei que acertei – mas com a mais absoluta certeza fiz meu melhor com o que tinha e com o que sabia e espero que isso me valha. Aprendi com acertos e, ainda mais, com os erros. Mas nada, absolutamente nada havia me feito mergulhar tão fundo dentro de mim como este ano de 2020. Não foi apenas um acontecimento. Foram vários ao mesmo tempo. Nossa!


Minha vida deu uma reviravolta imensa. Foram muitas mudanças internas e externas. Sucumbi e vi diversas pessoas sucumbirem também. Aprendi sobre mim este ano mais que em toda a minha vida. Foram muitas as transformações e ainda vem mais mudança por aí. Confesso que estou com medo – bastante medo – mas de peito aberto, fronte erguida e pronta para receber o que o Universo tem a me oferecer. Não foi fácil (re)encontrar o equilíbrio e a saúde eu continuo na luta. Só eu sei o quanto precisei e preciso ser muitas para continuar sendo UMA.

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Amar é um ato de coragem


Há cerca de um ano a minha vida passava por uma reviravolta enorme e eu não sabia. Eu perdia o homem que de fato amei – coisa que jamais pensei que ocorreria e muito menos da forma que foi. Ah, o ser humano. Durante alguns pares de anos vivi com o homem pelo qual eu nutria os mais profundos amor e admiração. Passamos por muitos desafios, mas também por momentos fantásticos – os melhores da minha vida e que, sem dúvida, ficarão eternizados. Ele foi o grande amor da minha vida. Ele É o grande amor da minha vida mesmo que estejamos trilhando caminhos diferentes.

Mas não se pode amar sozinho e eu amava sozinha. Só que eu não sabia e descobri de uma maneira muito triste. Não houve uma conversa. Descobri, através de uma rede social que eu não fazia mais parte da vida dele. Uma dor enorme me invadiu. Na mesma época enfrentava um tumor no útero – não parava de sangrar, meu filho estava me dando um trabalho enorme e eu ainda me preparava para fazer minha iniciação no espiritual. Tudo que mais queria era tê-lo ao meu lado – e como eu precisava dele.

Eu tentei – e não me envergonho disso – recuperar o meu amor, mas não fui capaz. E entrei para a minha iniciação espiritual com o coração muito machucado e sofrido. Apesar da dor devastadora que sentia, cumpri cada compromisso, cada função com dedicação e amor. Fiz meu melhor sem uma única reclamação. Foi um período muito difícil. Mergulhei no mais profundo de mim e vi muita dor, mais dor que eu podia suportar. Em pouquíssimo tempo perdi quase 15 quilos.

Passados quatro meses da minha iniciação, uma vez mais voltei a procurar o meu amor e, desta vez, me envergonho de tê-lo feito. Foi uma situação constrangedora na qual ouvi palavras duras que feriram ainda mais a minha alma. E, quando pensei que já não era mais possível sentir dor maior, eis que surge a vida e me surpreende. E, desta vez, não consegui suportar e desmoronei. Me senti como um animal abatido. Eu que tinha tanta alegria de viver acabei por sucumbir.

Tudo que me era tão sagrado, tão profundo, tão especial já não existia mais e eu me perguntava o porquê e não obtinha resposta. Por mais que eu tentasse entender, aceitar, engolir, sei lá, qualquer coisa... eu não conseguia. Me sentia culpada, incapaz, infeliz... eu era a visão da mais profunda tristeza. Me olhava no espelho e não me reconhecia. Perdi a conta das vezes que me olhei no espelho na tentativa de encontrar um resquício do que eu era. Então busquei no estudo e na terapia auxilio. Não era justo que o sentimento mais bonito e mais profundo que senti nesta vida me definhasse daquela forma.

E aos poucos, um dia de cada vez, fui me dando conta que eu não tinha culpa de absolutamente nada, que, na verdade, não havia culpados, que por mais que você ame uma pessoa ela não tem a mais remota obrigação de te amar de volta, ninguém é obrigada a corresponder às nossas expectativas ou agir da maneira que consideramos correta. Somos seres individuais que agimos com o outro de acordo com o nosso caráter e nossos princípios.

Um ano se passou. Sem dúvida alguma foi o ano mais difícil da minha vida, mas, também, com a mais absoluta certeza, foi um ano de grande aprendizado. Ser frágil não é sinônimo de fraqueza, muito pelo contrário. Demonstrar fragilidade é sinônimo de coragem e amar é um ato corajoso. Eu fui corajosa por amar e confiar com a alma total e completamente desnuda. Eu sou corajosa. Eu amo. O D* foi e é o grande amor da minha vida. Quando o conheci sabia que era AMOR e que eu o amaria por toda esta vida... o amor permanece, mas a dor não.

domingo, 11 de outubro de 2020

A superficialidade, o raso

Viver requer compromisso, mas, acima de tudo, comprometimento. Aí o bicho pega! Se comprometer de verdade pode ser mais difícil e exigir mais esforço que se pode supor. Por isso há quem inicie ciclos em cima de ciclos, numa pressa desenfreada em viver algo desesperadamente não por sede de vida, mas por carência, por medo de ficar só. E então só consegue viver a superficialidade dos inícios, o raso das relações como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo e acabam por se frustrar.

Tudo é tão bonito, tão mágico, tão fofo, tão tão... porque reque tudo, menos comprometimento. Trata-se do oba oba, apenas dos bons momentos a dois, da superficialidade dos encontros que em nada demonstram o que de fato é a vida real. São apenas sonhos e ilusões. Tão raso! Nada existe de profundo, de real... se quer conhece de fato com quem está. É o abstrato do que se quer e não se é capaz. A falsa felicidade, porque para fora tudo parece tão lindo, tão perfeito... para dentro o vazio, a tristeza de querer tornar real a própria mentira inventada – que por um tempo até acredita nela – e a consciência de que ainda não é isso, por mais esforço que se faça. Até porque felicidade não precisa de publicidade, porque esta só vende ilusão.

Como a vida real requer comprometimento, é necessário viver o dia a dia. É claro que existem os momentos mais sublimes em todas as relações, sejam elas profundas ou rasas. Mas para se tornar palpável, real, verdadeiro, é necessário entender e aceitar que há um entorno que fará parte da relação, haverá adversidades, enfermidades, dias bons e ruins, família, passado, dias de sol e chuva, convivência diária com qualidades, mas também com defeitos em tempo integral... sem subterfúgios, sejam eles quais forem. Se para ser bom precisa fugir da realidade ou criar realidades paralelas... opa! Sinal de alerta.

Tornar sonhos em realidade não é tão difícil. O difícil mesmo é pegar esta realidade e se comprometer verdadeiramente, sem fuga. De superficialidades e do raso é fácil sobreviver, mas é necessário ter a consciência que isso não é real. Porque a vida mesmo precisa ser real e, para ser real, ela requer amor e comprometimento, aceitar e unir ambas as realidades e transformá-las em uma única realidade a ser compartilhada a dois, três, quatro, cinco... e não cada um a sua e a nossa em separado... Isso é qualquer coisa, menos amor. Sem dúvida alguma há beleza nas águas superficiais, nos rasos... mas elas só molham os pés. A vida exige mergulhos.