terça-feira, 6 de julho de 2010


Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada...

MORAES, Vinícius


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As realizações acontecem de forma, às vezes, muito estranhas. Imaginamos o que queremos, como queremos – embora em alguns momentos não existam formas definidas – mas criamos em nosso pensamento o “objeto de desejo” e penso que assim atraímos o que tanto queremos. Algumas realizações acontecem de modo tão simples, tão fácil... outras levamos tempo e tempo imaginando, desejando, criando e, quando menos esperamos, eis que surge uma luz no fim do túnel.



Minha casa é uma realidade que tem forma. Ela deixou de ser como nos sutis versos de Vinícius de Moraes e, agora tem teto, chão, parede, mas não tem pinico! Prometo que providenciarei um!


E agora a tão sonhada casa tem a difícil tarefa de se tornar um lar de verdade, daqueles que nos abraça só de entrar.

sábado, 19 de junho de 2010

Sem você minha Cigana







"Tão só, na minha cabana

Tão só, sem você minha Cigana..."





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Sei que você não me falta, porque seu brilho ainda emana de mim. Mas, às vezes, queria apenas conversar e sentir usa presença.

Em que estrada você está? Que caminho você, menina, está percorrendo? Por onde andas? A quem encantas?

Quando quiser é só voltar, mas se eu precisar, sei que é só chamar.

Então vai, menina-flor, por essas estradas... e perfume os caminhos!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

"Volta para o pão, carne maluca!!!


De acordo com o dicionário Houssais de língua portuguesa, loucura pode ser definida como: “distúrbio ou alteração mental caracterizada pelo afastamento mais ou menos prolongado do indivíduo de seus métodos habituais de pensar, sentir e agir”.


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A loucura e a sanidade são separadas por uma linha imaginária, poderia dizer – como costumam falar os psicólogos – uma linha tênue. No entanto, é tão possível conhecer loucos com mais humanidade que uma pessoa considerada sã... Mas voltemos a tal linha! Se tal linha é ultrapassada – e tanto faz se é mais para um lado ou para o outro – faz as pessoas fugirem dos “métodos habituais”.

Para Freud: “A psicanálise rompeu também com os campos da medicina e da psiquiatria ao conceder à loucura o estatuto de verdade, considerando-a como portadora de sentido e não como uma anomalia na estrutura do corpo, sobre a qual a palavra não possuía qualquer poder revelador...”.

Então, a loucura tem verdade! Mas a verdade dos loucos, que em sua maioria, foram identificados na história como verdadeiros gênios. E a sanidade também tem a sua verdade, mas não tem destaque.

Só sei que continuo a minha vida... sem saber exatamente que lado da linha eu estou!

Então, só me resta dizer: “Volta para o pão, carne maluca!!!”

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Reflexo


O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos.
A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença.

VERÍSSIMO, Luiz Fernando



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A imagem refletida no espelho deveria ser fiel.
Há distorções!
Nada é capaz de refletir fielmente aquilo que se vê.
Nossos olhos também nos enganam.
Somos muitas vezes prisioneiros daquilo que nos mostra a primeira vista.
A representação do outro, a nossa própria representação não é fiel ao que de fato o é.
É necessário cerrar os olhos para ver melhor.
Esquecer o que é refletido pela retina e ver aquilo que não é mostrado.
Se despir da visão e vir o abstrato.
Ver aquilo que só o interior da própria retina pode mostrar.
Mas que se não fechar o olho, não se vê.
A fidelidade do que é mostrado só se enxerga quando não vemos.
No entanto, o espelho devolve a cada pessoa seu reflexo.
É física.
Não há ação sem reação.
Então, talvez seja possível receber o que é refletido.

domingo, 4 de abril de 2010

Meio a meio

“A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace”.

HUGO, Victor
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Sou uma pessoa impulsiva. Ajo muitas das vezes sem pensar. Isso me leva a acertos incríveis e a erros desastrosos. Que me torna uma pessoa meio a meio. Nem sei se erro mais ou acerto mais. Prefiro acreditar em 50% para cada. Essa característica reflete outra: sou covarde! É melhor acreditar que meus impulsos que acertam são pura intuição feminina – daquela, que nunca falha – e os que erram são infantilidade – tem uma parte em mim que teima em não crescer – a refletir antes de agir.

Fui precoce em tantas coisas e em outras deixei a desejar. Deve ser normal. Pelo menos para uma pessoa meio a meio como eu. Minha imaturidade causou grandes decepções, principalmente amorosas. Antes de me reconciliar com o processo da vida, fiquei um pouco introspectiva e até que gostei bastante do que vi dentro de mim. Passei tanto tempo dentro de mim que pude guardar algumas coisas e descartar outras. Uma pequena limpeza interna.

Enfim, me libertei de novo para viver intensamente. Fiquei mais leve. Flutuei. Me redescobri como mulher, mãe e profissional, não necessariamente nessa ordem. A mãe e a profissional não tiraram férias. Seria inconcebível. Preciso sustentar a mim e aos meus filhos e eles, graças a Deus, são para sempre – essa é uma das certezas que nunca estarei só ou comigo mesma. Já a mulher, essa precisou de tempo para se recuperar e reaprender, reerguer, renascer, reaflorar.

Mesmo reencontrando a mulher que estava dentro de mim e redescobrindo o amor, o mistério continuou intacto. Vi no amor uma grande perfeição e uma grande delicadeza. E novamente a característica impulsiva aflorou. Cai. Me machuquei. Perdi. E não entendi, mas não questionei. Afinal, sou meio a meio. Seria essa a parte impulsiva advinda da infantilidade. É a ação da minha parte que não cresceu, mas não perguntou “por quê?”.

Hoje vejo o enorme vazio com uma clareza incrível. Fiquei tão maior que eu mesma que não consigo me alcançar. Hoje quero mais, quero mais uma vida tranquila. Sem pressa, mas com impulso de uma alavanca. Hoje vejo o tempo como meu aliado e não como oponente. Ainda sou o que chamam de contraditória.

O mistério permanece intacto, mas descobri que como eu o amor precisa de asas, e de asas longas pra voar, alçar voos cada vez maiores e fazer pousos seguros e serenos. Hoje sou o porto seguro de um amor livre, que tem asas para voar. Hoje eu voo alto e pouso segura e serena... impulsiva, meio a meio.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Hoje? Hoje eu não escrevo!

“Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginalia, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.

O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (“com isenção de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles...”.

ANDRADE, Carlos Drummond

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Por tantas vezes perdi o brilho do sol no meu rosto e tudo mais que ele iluminava porque estava escrevendo sobre a vida de quem não conhecia e ousei em saber um pouco mais e contar sua história! Perdi festas e conversas em roda de amigos porque estava de olho na maquininha escrevendo – muitas das vezes – com indiferença, objetividade, imparcialidade e de forma impessoal e, de certo modo alheia também às dores do indivíduo. Assim é o meu trabalho!

Também perdi coisas que não voltam mais. Gracinhas dos meus filhos, passeios no shopping, parques e praças com as crianças porque estava escrevendo sobre quem não conhecia. Já tentei me desculpar diversas vezes pelas reuniões de pais que não pude comparecer, pelas vezes que não busquei na escola, pelas que não pude esperar no portão... mas simplesmente passou! E me sentia importante com isso!

Também perdi tempo que poderia ter dedicado a mim. Mas assim é a vida. Não da para ter tudo ao mesmo tempo... mas hoje o conflito é outro!

Algumas experiências, sentimentos não nos importamos de compartilhar, mas outros nos são tão íntimos que compartilhamos apenas com a folha de papel. Hoje sinto medo! Queria escrever com a caneta nova e meus papéis e não posso. Só queria me debruçar em cima do papel e simplesmente deixar as idéias fluírem. Os pensamentos são mais rápidos que a mão pode escrever – olha que um dia fui canhota.

A caneta e o papel que tanto alívio me traz e que também sustentam a mim e os meus filhos, hoje me agoniam. Queria apenas escrever, me aliviar, mas não posso fazê-lo de forma eficaz. Não sou mais um “deus” que escreve indiferente aos acontecimentos. Para a dor do corpo, injeção, antiinflamatório de oito em oito horas por sete dias e exames que nada revelam. Mas e a alma inquietante?!

Para sossegar a alma e acalmar os ânimos, garranchos de uma ex-canhota em uma folha de papel e catação de milho no computador. O que tanto me impediu de viver se transformou em prazer. Hoje, privado!


Mas tem o outro lado. Não estou debruçada na máquina o dia todo. Vejo a luz do dia e a chuva fina que cai, levo as crianças até a porta de casa para irem à escola e os recebo no final da tarde, bato papo com meus pais e vejo a vida! De jornalista a mera expectadora, sem poder escrever sobre o cotidiano. Hoje? Hoje eu não escrevo!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sem rótulos! Apenas amor!!!

“Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...”
QUINTANA, Mário


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Não há a mais remota necessidade de se prender a rótulos. Podemos viver nosso dia a dia sem precisar dar nomes às pessoas. Não importa o nome que cada um tem, não importa por quanto tempo se está afastado, tampouco o motivo da separação física. O que importa de fato é tão e somente o sentimento que une, de alguma forma, uma pessoa a outra.

Se nos importamos com rótulos e desprezamos o sentimento, é porque o sentimento deixou de ter valor ou é inexistente. Não se ama apenas quem nos chama por um rótulo... é sempre outro rio que passa e nada, absolutamente nada é para sempre! Tudo vai recomeçar! Ofereço o amor e creio que seja suficiente e, se tuas mãos estão distraídas, agarre-o com ardor! Isto eu tenho para te oferecer. Não exija mais que te possa ser dado! O amor é assim: livre como o vento...
Para Bárbara e Ailby